As vezes, você precisa cair, mas cair fundo... e lá embaixo, você vai encontrando as forças para se levantar.
Mas não é tão simples quanto parece ser, não no momento. Você tenta se levantar, ninguém gosta de estar lá embaixo no entanto, nas primeiras tentativas, você vai mais cair do que ficar de pé. Você se vê sozinho, ninguém percebe que você está morrendo por dentro, que todas as partes de você choram em desespero. Ao seu lado, você não vê e nem mesmo percebe, mas seu anjo chora. Chora como apenas os anjos sabem chorar. Aos mais sensíveis, até conseguem sentir uma tristeza ao seu redor, como se realmente houvesse alguém ao seu lado, chorando. E realmente há, o seu anjo. Você consegue sentir um desespero ao seu redor, uma angústia tão grande, que você não consegue entender. Ele tenta lhe pegar, lhe abraçar, mas não estamos à altura dos anjos para poder vê-los ou senti-los, fisicamente. Você se sente mais desesperado, tenta pedir ajuda (às pessoas erradas é claro) e elas fazem com que você se sinta pior do que estava. Coitados, não sabem o que é sofrer, o que é sentir tanto, agem como se não fosse nada sem saber o pesadelo que você enfrenta; o pior é que assim é a vida, um dia é dia da caça, e outro, do caçador. Você se sente pior do que estava, como se estivesse partindo em pedaços, e chora, grita, grita por ajuda, grita por alguém, uma companhia que seja, capaz de lhe ouvir sem julgar, sem apontar maiores defeitos e dizer-lhe que é fraco e não tem forças para encarar a vida. E seu anjo chora, porque você não o vê, não o sente.
Então, ele lhe mostra coisas que o incentivem a levantar. Ele lhe trás razões, lhe mostra as pessoas certas, lhe mostra os motivos necessários para encorajá-lo. Você sente um calor dentro de você, começa a se mexer e, mesmo sem forças, você vai saindo daquele buraco em que estava. Quando chega lá em cima, se pergunta como pode fazer tudo isso sozinho. Seu anjo lhe retribui um sorriso maroto, ele tem terra em suas mãos e suas vestes mas isso não importa, ver-lhe de pé é a melhor sensação que ele pode sentir. E assim, você olha para frente, volta a caminhar e ele lhe acompanha, feliz por ver que o que parecia uma catástrofe, não passou de uma nova experiência.
Obrigada, meu amigo! Obrigada por me ajudar, me acompanhar e me mostrar as pessoas que poderiam me ajudar e dar forças para procurá-las! Por me mostrar que tudo não passa de momentos que parecem eternos, mas logo acabam. Por manter minha sensatez, impedindo-me de tomar atitudes imprudentes e precipitadas. E, principalmente, me desculpe por ignora-lo e as vezes não acreditar em sua presença, sempre precisando de novas provas.
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